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domingo, 31 de julho de 2016

Por uma mídia sem partido

Os meios de comunicação exibem conteúdos que desenham a realidade sobre a qual as pessoas constroem suas vidas, formam valores e funcionam no cotidiano da sociedade. Perceba que o assunto do mês de agosto será a Olimpíada, que arrefecerá as pautas das operações da polícia federal e do judiciário, essas receberão menor destaque até o final das competições esportivas. Esse poder de estabelecer pautas na sociedade e no governo pode ser seletivo e como veremos tem escolhido mais alguns partidos do que outros para manchetes e editoriais negativos.

Na escola é importante que os professores apresentem todas as ideologias políticas e econômicas para que o aluno saiba das várias teses dos pesquisadores e pensadores e adquira capacidade crítica para analisar e escolher entre as muitas alternativas, na comunicação, que também educa, é a mesma coisa.

Algumas páginas da rede social têm feito esse trabalho de análise quantitativa e qualitativa. Elas comprovam que a mídia está tomando partido sem declarar sua posição partidária. O telespectador ou leitor que lê e não faz o exercício da crítica procurando o contraditório do que é apresentado, provavelmente toma para si o discurso das corporações mediáticas e reproduz no cotidiano como se fosse verdade absoluta e incontestável.

O jornalismo, à exceção dos artigos de opinião, tem por premissa reportar os fatos e informações bem fundamentados e apurados, para que a subjetividade do profissional ou da empresa não distorça o fato e o consumidor escolha, entre os vários pontos de vista da matéria, o seu. No entanto o que vemos são defesas de ponto de vista tão frequentes, escancaradas e vorazes que saem do jornalismo e entram no campo da publicidade.

Claro que não é proibido tomar partido, mas a ética jornalística, que a difere da publicidade, manda ter equilíbrio na divulgação das várias teses e lados de uma matéria ou fato veiculados. A propaganda pode tomar partido, o jornalismo não deveria.

Dá para perceber que as empresas de jornalismo da chamada grande imprensa têm iludido o leitor e dissimuladamente fortalecido os pensamentos e tendências defendidas por seus proprietários e editores, que todo dia são publicadas, na maioria das vezes sem contraditório. O resultado é que o consumo dessas informações e análises sem diversidade e pluralismo acabam catequisando e viciando muitos consumidores desse tipo de informação monocromática. Criam times, torcidas emocionadas e anulam razões e fatos.

Veja o gráfico produzido pelos pesquisadores do site Manchetômetro (http://www.manchetometro.com.br/) sobre manchetes negativas dos editoriais do jornal O Globo, um jornal partidário. Clique na imagem para ampliar


Entenda um pouco mais como as manchetes são construídas para esconder algumas coisas e mostrar outras de interesse das empresas de mídia na página do face: Caneta Desmanipuladora (clique aqui)

Victor Zacharias
Jornalista, publicitário e locutor pós graduado em Sócio Psicologia, com extensão em Políticas de Comunicação pela USP e Formação de Governantes pela Escola de Governo.

quinta-feira, 19 de maio de 2016

CADE investiga monopólio das transmissões de futebol pela Rede Globo

O Cade (Conselho Administrativo de Defesa Econômica) iniciou um procedimento investigatório para colher informações sobre o mercado de transmissão de jogos de futebol no Brasil.

A população tem sofrido com informações distorcidas que são veiculadas pelo oligopólio dos meios de comunicação. Oligopólio é proibido pela Constituição Brasileira. Além disso é visível que a comunicação de rádio e televisão no país não têm diversidade e pluralidade, quase nunca há espaço para o contraditório, isso caracteriza a falta de liberdade de expressão.

A ponta do iceberg no segmento esportivo é o monopólio que a Rede Globo tem sobre as transmissões de futebol. Os torcedores têm reclamado muito do horário dos jogos, acontecem no final da noite, e a maioria dos clubes se veem prejudicados pela pouca diversidade, por exemplo, a exibição das partidas do time do Santos Futebol Clube nunca tem tido a preferência da emissora, o que é um desrespeito aos torcedores do clube praiano, sobre isso o presidente Modesto Roma disse, " É bom para o futebol o fim do monopólio (da Globo)".

Mas além deles as emissoras de TV reclamam do domínio da Globo no setor.

Por isso, foi aberto pelo Cade em 29 de fevereiro, que já havia enviado uma série de questionamentos a respeito dos direitos de transmissão a partir de 2019 (veja o documento).



No mesmo dia da instauração do procedimento, o órgão pediu que a Globo detalhasse as propostas feitas a treze clubes do futebol brasileiro (veja o documento). Após pedir prorrogação de prazo, a Globo respondeu ao órgão — a maior parte da resposta está sob sigilo (veja a versão pública do documento).

Outro documento foi enviado ao Canal Esporte Interativo questionando se a emissora já possuía contrato com os clubes (veja o documento). Em resposta, o canal negou ter contrato (veja a versão pública do documento).

O Cade ainda enviou ofícios aos times também solicitando detalhes sobre a negociação com a Globo e com o Esporte Interativo (veja o documento enviado ao Corinthians — os demais ofícios são semelhantes). No site do Cade é possível acessar a resposta enviada por parte dos clubes (veja a versão pública da resposta enviada pelo Corinthians).

No último dia 10, o órgão enviou ofício a cinco emissoras questionando se elas têm interesse em transmitir jogos do Campeonato Brasileiro (veja o documento enviado à Record — os demais são semelhantes).

De acordo com o Cade, após a instrução inicial, o procedimento preparatório pode ser transformado em inquérito administrativo ou arquivado.

Ainda de acordo com o Cade, a atuação do órgão se restringe à sua competência legal, que é a de apurar infrações à concorrência.

Existe também uma página feita no facebook "Jogo 10 da noite não" pedindo para que o horário seja antecipado: Futebol brasileiro é do povo e não de uma emissora de TV.

O procedimento do Cade não inclui eventuais descumprimentos ao Estatuto do Torcedor.

Com texto do R7 - Esportes

sexta-feira, 7 de agosto de 2015

Mídia monopolista multiplica panelas aristocratas distorcendo fato

Muitos já ouviram falar da multiplicação de peixes, mas não de panelas, pois é, as concessões públicas de rádio e televisão são especialistas em generalizar coisas.

Informações repetidas por vários veículos de comunicação criam a ilusão de verdade universal, quando não passam de um fato isolado e pequeno. Esse tipo de fenômeno indica a falta de diversidade e pluralidade nos veículos de mídia.

A mídia monopolista não está lá muito interessada em exibir mensagens como elas são, o que interessa a esses meios é o poder e o lucro, só isso. E para que você veja o que eles querem, colocam numa embalagem atraente que pode ser uma novela ou até mesmo o jornalismo espetacularizado.

Assim a mídia monopolista cria climas, derruba ministros, influencia juízes e até derruba governos.

Conheça a esclarecedora análise publicada pelo site DCM que foi feita pelo seu leitor Renato. 

Moro na Vila Olímpia em São Paulo e depois de minha corrida no democrático “Ibira” retornei para casa, como de costume, por dentro da Vila Nova Conceição (ou “VNC” como parece que os habitantes daquele planeta gostam de denominar) bem no momento do panelaço/buzinaço da noite [6/8].

Sem dúvida, é um bairro agradável, arborizado, sem muito trânsito, aparentemente seguro (com seguranças particulares 24h armados nas calçadas em frente alguns prédios) e bem servido de comércio e serviços.

Caminhei tranquilamente retornando para casa, ao som de panelas e buzinas de Mercedes e BMW’s e também ao som de uns gritos “Fora Dilma”, “Fora PT”, “Ladrões” etc., alguns deles excepcionalmente proferidos por crianças pelas vozes que pude perceber.

Chegando em casa e com a informação da pesquisa com 71% de reprovação do governo, resolvi levantar a votação de 2º turno na capital: 63,8% dos votos válidos para o candidato do PSDB; e 36,2% para Dilma Rousseff

Não satisfeito resolvi fazer a pesquisa por zona eleitoral e aqui peço perdão, o primeiro link que encontrei foi no G1, mas cliquei assim mesmo. 5ª Zona Eleitoral, onde acredito que esteja a “VNC”, não encontrei o levantamento específico do bairro: 86,68% dos votos válidos para o candidato do PSDB; e 13,32% para Dilma Rousseff

Com base nos dados acima, era de se esperar que no mínimo 2/3 das janelas estivessem repletas de cidadãos exercendo seu direito de se manifestar pacificamente de suas sacadas de apartamentos de R$20 milhões certo?

Ocorre ainda que sou engenheiro e gosto de matemática então me dei ao trabalho de contar em cada prédio quantas eram as janelas que eu conseguia identificar uma panela batendo ou alguém gritando.

Com muito boa vontade chega a 30%, na maioria das vezes eu diria 20%.

Uma panela sozinha já faz um barulho imenso. Some dez panelas na mesma quadra e a dimensão do que você ouve não reflete o que de fato acontece.

Se num lugar onde a votação foi tão favorável à oposição, por que não vi um número condizente de “manifestantes”?

Passei também por pelo menos por cinco restaurantes, onde um casal gastaria facilmente R$300,00 num jantar, e não vi ninguém “se dando ao trabalho” de interromper sua refeição para também manifestar, seja de dentro do restaurante ou indo até a calçada para fazer barulho.

Por que então o panelaço parece que faz tanto burburinho? Porque o UOL e a Globo fazem eco dele e o transformam em algo maior do que realmente é. Mas se considerarmos a audiência atual da Globo e do UOL (fora canal adulto), a notícia é repercutida para os próprios manifestantes, que devem ficar felizes em fazer parte do movimento.

No mais, ninguém vê.

E qual a razão da adesão não ser maior? Mesmo considerando que estão no conforto de seus sofás para acompanharem online e “no Face”.

São preguiçosos. Batem palmas para os colegas que se dispõe a amassar panelas enquanto eles se divertem filmando para mandar pelo “Whats”.

Ou seja, qualquer comparação com as invasões na Paulista enquanto adesão × votação, é mera coincidência. Não vai ter impeachment, eles gritam por farra e nem querem isso. Mas querem ver o governo e a presidenta sangrarem durante todo o mandato.

Me resta o conforto que, se houver embate, a participação nas ruas dos 54,5 milhões do qual faço parte, será BEM maior que do outro lado, dado o que vi hoje.

domingo, 23 de junho de 2013

Regulação da mídia, o debate inevitável

Leila Diniz - Oi na TV

A regulação da mídia volta à pauta do Observatório da Imprensa na TV. No Reino Unido, os líderes dos três principais partidos políticos firmaram um acordo para criar um órgão regulador externo para a imprensa escrita. O projeto ainda precisa ser votado em plenário e passar pela revisão na Câmara dos Lordes – e já causa celeuma. O mecanismo será criado por meio de uma Carta Real e novo órgão poderá aplicar multas de até R$ 3 milhões. Jornais, revistas e sites noticiosos poderão ser obrigados a publicar retratações imediatas, com destaque na primeira página.

A adesão das empresas será voluntária, mas aqueles que optarem por não aderir serão passíveis de punições ainda mais severas. A medida foi tomada como resposta ao escândalo protagonizado por tabloides do grupo News Corp,do magnata Rupert Murdoch, em 2011, quando jornalistas foram acusados de espionagem, grampos ilegais, chantagem e tráfico de influência. Representantes de jornais se queixam de que ficaram de fora do processo de debates e já articulam um boicote ao novo órgão.

No México, o governo apresentou projeto de uma ampla reforma do setor de telecomunicações para fomentar a concorrência. A medida terá forte impacto nas áreas de telefonia e televisão, onde o empresário Carlos Slim – o homem mais rico do mundo – detém uma robusta fatia do mercado. O programa do OI exibido ao vivo na terça-feira (26/3) pela TV Brasil examinou essas duas propostas de regulação e debateu a necessidade de algum tipo de regulação para a mídia brasileira.

Alberto Dines recebeu no estúdio de São Paulo os jornalistas Eugênio Bucci e João Brant. Bucci é professor da Escola de Comunicação e Artes da Universidade de São Paulo (ECA-USP) e da Escola Superior de Propaganda e Marketing (ESPM). É colunista do jornal O Estado de S. Paulo e da revista Época, e foi presidente da Radiobrás. João Brant é integrante do coletivo Intervozes e do Fórum Nacional pela Democratização da Comunicação. É mestre em Regulação e Políticas de Comunicação pela London School of Economics. No Rio de Janeiro, o programa contou com a presença de Adilson Cabral, professor de Comunicação Social da Universidade Federal Fluminense (UFF). Doutor pela Universidade Metodista de São Paulo, coordena o Centro de Pesquisas e Produção em Comunicação e Emergência. É especialista em políticas de comunicação.

Debate inevitável
Antes do debate no estúdio, em editorial, Dines comentou que as discussões em torno de regulação, autorregulação e marco regulatório podem parecer áridas para o cidadão, mas têm um potencial explosivo para jornalistas, políticos e acadêmicos. “Depois de quase quatro séculos de total liberdade de impressão, a Inglaterra parece prestes a enterrar a doutrina da autorregulação voluntária – que não conseguiu evitar abusos – e adotar um paradigma mais interventor. Mas no México, o novo presidente Enrique Peña Nieto, de centro direita, também está disposto a empreender mudanças. Inevitável, a questão regulatória está na ordem do dia. Mesmo longe daqui”, disse Dines.

A reportagem produzida pelo programa entrevistou Aluízio Maranhão, editor de Opinião do jornal O Globo. Para o jornalista, o novo órgão britânico, na prática, não funcionará. A Inglaterra rompeu uma tradição adotada desde o século 17, de não haver interferência externa na imprensa. Maranhão sublinhou que os crimes praticados por jornalistas do News of the World foram descobertos pela própria imprensa inglesa e não pela polícia. “Os responsáveis estão sendo processados como devem: pela legislação penal. Então, não seria necessário nenhum novo aparato, ainda mais um aparato como esse, vertical, de cima pra baixo”, criticou o jornalista.

Já o mercado mexicano, na opinião de Aluízio Maranhão, é extremamente concentrado e, por isso, a iniciativa do governo é bem-vinda. Maranhão afirmou que no Brasil o debate sobre a regulação da mídia e uma nova regulação na área de telecomunicações acaba se confundindo: “Você tem grandes atores novos no mercado de informação que são as empresas de telecomunicações e telefonia. E a nossa legislação com respeito a isso é antiquíssima. É preciso mudar a regulação dessa área: quem é quem, quem pode fazer o quê. Outra coisa é a regulação da mídia que é apresentada de uma maneira disfarçada como se fosse essa a regulação necessária, mas que quer entrar, intervir na produção de conteúdo. Aí se chama censura – ou que se dê outro nome. Isso, no Brasil, é inconstitucional. O Supremo Tribunal Federal, faz dois ou três anos, reafirmou o direito à liberdade de expressão no seu sentido mais amplo”.

O papel dos jornalistas
Guilherme Canela, assessor de Comunicação e Informação da Unesco, defende a criação de órgãos reguladores independentes. A regulação da mídia deve ter mecanismos que levem ao fortalecimento de meios de comunicação independentes e plurais. Para ele, algumas das questões centrais nesse debate são a regulação da propriedade e de instrumentos de transparência.

O jornalista Carlos Castilho ressaltou que, antes de tudo, é preciso melhorar a qualidade da produção jornalística. “Criar novos códigos é importante na medida em que isso gera discussão. Mas não podemos esperar que esses códigos e essas novas leis resolvam todos os nossos problemas. Novos códigos geralmente implicam fiscalização e medidas de punição. Nós temos que envolver as televisões, os jornais e os jornalistas nessa busca de um novo conceito sobre como produzir material para ser exibido. É complicado? Sim, é. É utópico? Sim, é. Mas nós não temos outra alternativa”, sugeriu Castilho.

Da Inglaterra, o correspondente Silio Boccanera comentou a reação dos meios de comunicação à tentativa de regulação. “Provocou irritação da imprensa porque tira de jornais e revistas o poder de se fiscalizar sozinhos, sem interferência de políticos, juízes ou autoridades de fora do setor. A proposta agora é criar uma agência regulatória separada e independente dos órgãos de imprensa. Editores e proprietários reagiram enfurecidos. Denunciam uma suposta ameaça à liberdade de imprensa com potencial de censura e intimidação”, contou o jornalista. Boccanera explicou que os jornais temem perder a liberdade para criticar políticos e poderosos.

A quem interessa a regulação?
No debate ao vivo, Dines comentou que a autorregulação não foi bem-sucedida na Inglaterra. O modelo do Comitê de Queixas contra a Imprensa (PCC, na sigla em inglês) – que regulava a imprensa escrita – foi referência em todo o mundo, mas não impediu que tabloides britânicos praticassem graves desvios éticos.

João Brant explicou que o Reino Unido tem uma longa tradição de regulação dos meios eletrônicos de comunicação que culminou com a criação da Ofcom, em 2003, que regula a radiodifusão. Na opinião de Brant, o PCC tinha um código eficaz, mas a aplicação das normas não foi bem realizada . Para ele, os veículos de mídia impressa mais protegiam do que regulavam uns aos outros. “Há riscos e há ameaças possíveis à liberdade de expressão e ao direito de informação do público. Mas eu acho que o que estava evidente era o risco maior de manter um sistema que não vinha dando certo”, disse o jornalista. Brant ressaltou que os objetivos de regular a mídia, em geral, são garantir o pluralismo, a diversidade, ampliar a liberdade de expressão e o direito à informação do público.

Dines ressaltou que durante o processo de discussão do projeto de regulação da mídia britânica os jornais e revistas foram convidados a se manifestar, assim como as vítimas atingidas pelos escândalos protagonizados peloNews of the World. Com o projeto prestes a ser aprovado, os jornalistas criticam a criação do novo órgão. Para João Brant, é interessante notar que tanto a iniciativa britânica quanto a mexicana colocam o cidadão no centro do debate. “Eles entendem a comunicação como um serviço público a serviço do direito do cidadão à informação, à uma ampliação da liberdade de expressão e, portanto, o centro não é a própria mídia”, disse Brant. O jornalista explicou que o debate em torno da regulação na Inglaterra é feito com frequência e vem de longa data.

“A palavra democracia precisa ser colocada no centro desse debate porque o que está em jogo é se você consegue garantir, de fato, um sistema democrático em que as diversas vozes sejam ouvidas e que o cidadão tenha direito a todas as versões e diferentes perspectivas sobre os fatos”, defendeu o jornalista. Brant ressaltou que é preciso entender que a liberdade de imprensa é uma garantia fundamental, mas ela existe para a sustentação dos diretos à liberdade de expressão e à informação. Não se pode agir sem levar em consideração a sua função pública.

Debate vetado
Adilson Cabral chamou a atenção para o fato de que nem na Inglaterra nem no México as propostas de regulação têm origem em governos identificados com a esquerda, como ocorre na Argentina, na Bolívia e na Venezuela. Para ele, é importante observar a conexão de várias experiências diferentes, mas o Brasil deve planejar a regulação a partir de seus próprios parâmetros. O modelo de regulação em debate na Inglaterra está ligado ao desenho da política britânica. “É diferente da nossa política, onde o termômetro define até onde o governo consegue ir ou levar o debate sobre as comunicações”, comparou Adilson Cabral.

Na opinião de Eugênio Bucci, uma discussão reprimida ou com viés equivocado acaba resultando em soluções que não levam à resolução dos problemas. “É claro que na Inglaterra haverá um avanço. A sociedade está despertando para isso. Os políticos estão se entendendo dentro desse sentido”, avaliou Bucci. No Brasil, a discussão não é feita porque predominam mentalidades que acreditam que não falar sobre o tema é melhor para a liberdade. “Isso é um engano terrível que pode acarretar consequências mais terríveis ainda. A pior coisa que pode acontecer no Brasil é não se debater a regulação ou a autorregulação”, advertiu o jornalista.

Bucci explicou que, no Brasil, adota-se o termo regulamentação como sinônimo de regulação, mas que é preciso entender a diferença entre as duas palavras. A regulação inclui, além da regulamentação – que é o estabelecimento de regras –, a fiscalização do cumprimento das normas. “Marco regulatório parece nome de imperador romano. O que quer dizer isto? Apenas uma legislação, um conjunto de normas, postas pelo Estado, e que disciplinam como um determinado mercado funcionará”, explicou Bucci. Temas como concentração de propriedade, concessões de canais de radiodifusão para parlamentares, proselitismo religioso nas em rádios e TVs e inovações tecnológicas pedem um conjunto de normas atualizado. “Há uma série de desvios e deformações que precisam ser disciplinados por lei. Outras coisas podem ser disciplinadas por autorregulação e pelo bom senso dos jornais”, disse Bucci. Observatório da Imprensa

domingo, 14 de abril de 2013

Movimentos propõe lei de iniciativa popular para levar a democracia à mídia.


19 de abril: Movimentos sociais promovem plenária pela democratização das comunicações

Rosane Bertotti, secretária de Comunicação da CUT e coordenadora do FNDC
(Foto: Roberto Parizotti)
Após o encerramento do Enacom, CUT e parceiros já tem mobilização marcada para lutar por um marco regulatório da comunicação.
Mal acabou o Encontro Nacional de Comunicação da CUT (Enacom), na tarde de terça-feira (10), e os movimentos sociais já tem uma nova data de luta marcada.
No dia 19 de abril, o Fórum Nacional pela Democratização da Comunicação (FNDC), coordenado pela secretária de Comunicação da Central, Rosane Bertotti, realiza uma grande plenária no Sindicato dos Engenheiros de São Paulo (Rua Genebra, 25 – Bela Vista) para apresentar a proposta de emenda popular que visa criar um marco regulatório para o setor.
Diante da inércia do Congresso e do governo, entidades progressistas irão recolher assinaturas em todo o país para um projeto de emenda popular que estabeleça regras para a produção e distribuição de informação, conforme explica Rosane.
“A campanha ‘Para Expressar a Liberdade – Uma Nova Lei para Um Novo Tempo’ vai dialogar com a sociedade para explicar porque não pode ficar refém da versão que interessa somente a um pequeno grupo de empresários que comanda as emissoras de rádio e TV. Queremos também ter espaço para mostrar o que pensamos e como enxergamos o Brasil e para isso precisamos recolher 1 milhão e 300 mil assinaturas fazer da democratização da comunicação realidade”, explica.
Debate representativo
Sobre o Enacom, a dirigente avalia que a grande participação e representatividade dos ramos e a riqueza dos debates, tanto dos painelistas, quanto dos delegados foram os ponto principais. Além do compromisso que as CUTs estaduais assumiram de construir a rede de comunicação da Central.
Para Rosane, o evento deixa claro ainda que, diante das diferentes realidades de cada parte do país, é preciso tratar cada região sob uma ótica, com políticas diferenciadas e a solidariedade como princípio.
Por fim, avalia que, apesar de já ter um papel importante, a comunicação ainda depende de maior financiamento para ocupar o papel formador que lhe cabe.
“Parte da CUT já entende que é uma questão estratégica, porém, como disse o Valter Sanchez (presidente da Fundação Sociedade Comunicação, Cultura e Trabalho, que administra a TVT), quando você pensa em dar voz à pluralidade e a representatividade da Central e à necessidade de expressão do povo brasileiro, os custos tornam-se proibitivos. Começamos a ocupar um grande espaço, mas não ainda chegamos ao grau de articulação, tanto em investimento, quanto em rede, que precisamos.”
(Fonte: Site CUT Nacional)

segunda-feira, 4 de março de 2013

Ilusão da escolha: mídia americana também é controlada por 6 famílias, apesar do órgão regulador FCC

Código Federal de Regulação é a lei pela qual os Estados Unidos controlam a sua comunicação de rádio, televisão, por fio, satélite e cabo em todos os 50 estados, no Distrito de Columbia e nos territórios americanos. O FCC - Federal Comunications Comission é o órgão que deveria implementar esse código.
No entanto a mídia americana está concentrada nas mãos de poucos donos como mostram os dados levantados pelo Jason que é o blogueiro produtor do Frugal Dad, a matéria foi republicada no Bussiness Insider. 


As informações sobre o autor do blog estão colocadas assim: Jason teve a visão de entender que as pessoas não podem continuar a viver acima das suas possibilidades, sem desagradáveis ​​consequências financeiras. Sabedoria de Jason se tornou aparente vários meses após o site foi lançado, quando a economia mundial viu a sua pior crise em um século.

O Jason diz que como pai ele fica preocupado com a integridade das notícias e entretenimento que a sua família e ele consomem todos os dias. Quem realmente produz, possui e coloca no ar os shows que seus filhos assistem toda noite e quais são as companhias que selecionam as histórias que ele lê fielmente toda manhã? Jason defende o consumo crítico, por isso pergunta: O que poderia ser mais importante que conhecer as fontes de onde vem a dieta de informação que alimenta a sua família diariamente? Hoje a maioria da mídia americana é controlada por 6 famílias. Confira no infográfico no qual ele consolidou a mídia americana até 2011.
O site Bussiness Insider faz o seguinte comenta que esse infográfico é do ano passado e estão faltando algumas transações chaves, por exemplo a GE não possui mais a NBC (ou Comcast ou qualquer mídia). Portanto a sexta companhia agora é a Comcast. A Time Warner não é proprietária a AOL, assim Huffington Post não é afiliado deles.















Mas o fato de algumas empresas possuírem tudo que está demonstrado na "A ilusão de escolha", diz o Jason. Enquanto alguns grandes sites, como Digg e Reddit não são de propriedade por qualquer uma das empresas, a Time Warner possui sites de notícias lidas por milhões de americanos a cada novo dia.
O Jason finaliza seu infográfico dizendo que a FCC possibilitou a desregulamentação e uma longa década de orgias, fusões e aquisições para que essas seis empresas gigantes dominem o horizonte da mídia americana. Até que as regulações voltem eles continuarão no controle de 90% de tudo que o americano vê, ouve e considera importante.

Como diz Bia Barbosa, jornalista e militante do Intervozes, que luta pelo efetivação do Marco Regulatório das Comunicações: A ilusão da escolha. Excelente inforgráfico sobre a concentração da mídia nos Estados Unidos. Se é assim num país que possui mecanismos de regulação da propriedade dos meios, imagine no Brasil.

Tanto lá como aqui a luta pela Liberdade de Expressão com diversidade e pluralidade continua firme e cada vez mais forte. As entidades estão unidas estão planejando novas estratégias para mostrar aos brasileiros a importância desse tema, eles precisam saber o quanto as informações são gerenciadas pelos grandes grupos privados de comunicação que monopolizam o setor. A democracia precisa chegar até a mídia.

quinta-feira, 14 de fevereiro de 2013

Ramonet destaca Equador pelo avanço na democratização da mídia

“Democratização da comunicação é essencial para os governos enfrentarem a chantagem da mídia reacionária”, defendeu o jornalista do Le Monde Diplomatique

Leonardo Severo, Felipe Bianchi e Caio Teixeira, de Quito-Equador
Ramonet dá entrevista exclusiva ao ComunicaSul
Governos democráticos e populares como o do presidente Rafael Correa, no Equador, são “exemplo” na luta contra os monopólios da desinformação, “que se colocam como quarto poder e fazem o papel dos partidos políticos conservadores em oposição à opção demonstrada pela sociedade nas urnas”, afirmou o jornalista e sociólogo Ignácio Ramonet.

O fundador do Le Monde Diplomatique participou nesta quarta-feira (13), Dia Mundial do Rádio, do programa Enlace de Medios, onde reiterou que “a democratização da comunicação é essencial para os governos progressistas da América Latina enfrentarem a chantagem da mídia reacionária” e não virarem presas fáceis da mercantilização da informação
.
“O que antes parecia secundário, hoje é central, esta é uma batalha onde se joga o futuro. Por isso a oligarquia midiática faz tanta chantagem e vive argumentando que a sua liberdade de expressão, a das empresas de comunicação, não pode ter limite. Querem dizer qualquer coisa, de qualquer modo, sem ter que se responsabilizar, sem correr riscos”, declarou Ramonet, na entrevista que teve a participação do Coletivo ComunicaSul de comunicação colaborativa, da Prensa Latina e da Agência Latinoamericana de Informação (ALAI). Comunicadores da Venezuela, do Uruguai e El Salvador também entraram em rede contribuindo com perguntas e questionamentos sobre o uso das agências internacionais e das redes de rádio, televisão, jornais e revistas em instrumento de propaganda contra a construção de alternativas ao neoliberalismo.

Logo após o programa da Associação Latinoamericana de Educação Radiodifusão Radiofônica (ALER), em entrevista exclusiva ao ComunicaSul, o jornalista franco-espanhol lembrou que como os veículos privados são os únicos que chegam ao grande público, “os governos ainda que progressistas” acabam pagando pedágio. “Acabam tendo que passar por estes meios através da publicidade, da publicação de comunicados”.

COMUNICAÇÃO PÚBLICA

Questionado se não era um contrassenso vários dos governos da região continuarem – literalmente – pagando para apanhar, Ramonet defendeu uma política pública de investimento na disputa política e ideológica. “Acho que é muito pertinente que os governos progressistas invistam nos meios públicos. Porque os meios dominantes, como são meios de classe, não falam de todo o mundo, não falam de classes sociais, dos pobres, das culturas periféricas, dos povos originários e da riqueza que podem representar, não falam de muitos aspectos da vida que constituem a realidade cotidiana de milhões de pessoas. Falam de um mundo que somente pertence a uma pequena elite e estão tratando de transferir este universo como um modelo para a maioria da população. Portanto, quando um governo progressista investe em meios comunitários, está dando para a comunidade num bairro, aldeia ou povoado de pescadores a possibilidade de falar do seu aos seus e, consequentemente, dando a possibilidade de uma relação horizontal em termos de comunicação, não unicamente vertical”.

FALAVA-SE DOS EUA E EUROPA, NÃO DOS VIZINHOS

Segundo Ramonet, investir no aprofundamento da democratização é estimular o protagonismo: “Isso é extremamente importante e todos os governos deveriam fazer, não só os progressistas”. Por outro lado, observou, são governos que têm se preocupado em “criar laços entre todos os latino-americanos”. “Por exemplo, antes que se financiasse e criasse a Telesur não havia nenhuma televisão na América Latina que falasse de todo o Continente. Curiosamente, os únicos meios que falavam da América Latina eram norte-americanos, a CNN e outros canais. Em muitos países da nossa América se falava do país em questão, dos Estados Unidos e da Europa, mas não se falava do país vizinho. Creio que isso está mudando, tomando maior consciência da necessidade de conhecer-se melhor, efetivamente. Se te conheces melhor, te aprecias melhor, te valorizas mais e fortalece tua autoestima. Não ficas com o olhar paternalista, colonial ou condescendente que vem do exterior. A América Latina é agora um continente já adulto, bem maior, com níveis de desenvolvimento intelectual, acadêmico e, agora, político, e já não necessita um olhar neocolonial sobre suas atividades”, concluiu.

Entrevista exclusiva ComunicaSul





Ouça a entrevista completa de Ramonet para o programa Enlace de Medios